Mapa do seu plano de Lançamento

Infinitum
Você quer viver para sempre?

Por Alexandre Bento

Alex sempre sonhou em ser jovem para sempre, o que parecia impossível.

Até ele descobrir o segredo do professor Rock, um homem que sabia tudo da vida e da morte.

Agora é só reunir o garoto que nunca beijou, a menina dos seus sonhos e os melhores amigos do mundo: o guru do amor, o mestre dos disfarces e o rapaz dos mil empregos.

Acrescente a tudo isso os maravilhosos anos 80.

Um pouco de Infinitum

TÍTULOS DOS CAPÍTULOS

3. A noite em que fomos expulsos do Inferno
4. O Casarão
5. O Plano Perfeito do Primeiro Beijo
6. Minha Mãe não pode saber nunca
7. A Festa da Pesada
8. I’ll be there for you
16. Se as paredes falassem
17. Não brinquem com os mortos
19. Eu nunca mais vou passar um trote

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

I.S.B.N. 978-85-924932-0-2
Formato: E-book
Livro físico: não
Idioma: Português
Número de páginas: 319
Número da edição: 1ª
Ano da edição: 2019
País de origem: Brasil
João da Silva
O Autor
Alexandre Bento é apaixonado por música e livros.

Já quis ser astronauta, super-herói, jogador de futebol, presidente, mágico e músico.

Foi homem-placa, office-boy, atendente, analista, supervisor, coordenador, gerente, advogado e professor de cursos preparatórios para a OAB.

Mestre em Direito Político e Econômico e Especialista em Direito Constitucional, pela Universidade Mackenzie. Servidor Público Federal.

Infinitum é o seu primeiro livro.

alebentoescritor@uol.com.br

Capítulo Zero
Vai Procurar a sua turma

Não é possível evitar a morte. Mas nós podemos atrasá-la bastante.
                                                                                        Professor Rock

São Paulo, 23 de dezembro de 1989, baile de formatura.

O DJ tocou uma sequência de tirar o fôlego: Depeche Mode, Erasure, Information Society e Michael Jackson.

– Uma última dança, Ana?
– Eu adoraria, Alex. Mas a música não é muito romântica – ela respondeu com aquele sorriso fascinante , apontando para a turma que fazia os passinhos do Thriller.
– A minha ideia é um pouco diferente. Vamos fazer um mundo só nosso por alguns minutos.

Ele tirou um walkman do bolso do paletó. Ajustou suavemente os fones de ouvido para que eles pudessem ouvir juntos. Então, retribuiu o sorriso e apertou o play.
A dança com os fones de ouvido. A música perfeita.

♪ ♪ ♪

Alex nunca se sentiu tão feliz. Ele tinha os melhores amigos do mundo e a garota dos seus sonhos em seus braços. Fazia um carinho nos cabelos dela e sentia um perfume suave.
O cheiro da Ana era maravilhoso.
Eles dançavam lentamente, como se o mundo estivesse parando. Puxou-a para mais perto e a segurou com confiança.
Ele deu um beijo no rosto dela, bem pertinho da boca.
Ela o abraçou mais forte. Os rostos ficaram colados e as bocas, lentamente, mas muito devagar mesmo, começaram a se aproximar.

...

O beijo Infinitum poderia fazer um final diferente.

Eu ainda não acredito que isso aconteceu – era o que todos os alunos do colégio Casarão diziam sobre o ano de 1989.
Talvez você também não acredite.
Foi o ano de uma grande aventura. E de algumas perdas.
Aquela noite representava o fim de um ciclo. A escola havia acabado. Essa era a realidade. No dia seguinte, cada um daqueles jovens trilharia um caminho diferente, atrás dos seus sonhos.
O fim também era um novo começo.
O futuro. O desconhecido. A escola da vida.
Os planos eram muitos: uma profissão, abrir um negócio, morar no exterior, viajar o mundo, ou, simplesmente, o plano era descobrir o que eles queriam fazer de suas vidas.

Bem, estava chegando ao fim uma década inesquecível e mágica. Sim, você já deve ter ouvido falar que os anos 80 foram bons. Se você não viveu nessa época, pode confiar nisso: foi demais! E mesmo sem existir internet e celular.
A turma usava ficha no “orelhão” para ligar para alguém. Que e-mail que nada! Tinha que ir na Agência dos Correios. Antes do computador, as pessoas tinham máquina de escrever. Você errava, a letra grudava e ficava tudo borrado.
Mas dava tudo certo depois.
Não existia Facebook, Instagram, nem WhatsApp.
CD, DVD, Blu-Ray? Nem pensar.
A turma tinha fitacassete e regravava as músicas por cima, colocando um papel no furinho da fita.
Não tinha quadra de futebol society. Os meninos jogavam bola na rua. Um time de camisa. Outro sem. Alex sempre dava um jeito de ficar no time de camisa, pois tinha vergonha de mostrar os seus ossos. Umas pedras serviam de trave. E não tinha juiz. Ganhava quem era bom de grito. O dono da bola sempre jogava, mesmo que fosse ruim. O pior jogador era escolhido por último ou virava goleiro.
A maioria da turma não tinha carro. Andavam a pé na rua. Vinte. Trinta pessoas. Até mais, quando tinha alguma festa.
E a grande diversão eram as festas. Os meninos ficavam de um lado. As meninas do outro. Na hora das músicas lentas, era preciso atravessar o salão e convidar alguém que interessava para dançar. Se ela dissesse “não”, você se sentia a pessoa mais fracassada do mundo.

Por falar nisso, antes daquela última dança, é preciso voltar no tempo e contar algumas coisas que aconteceram.
A ordem dos fatos não importa muito agora.

A turma de 1989 entrou para a história do colégio Casarão como a mais querida de todos os tempos. E tudo começou com um teste para entrar no grupo de amigos.
Algo simples, mas nem todos conseguiam. Tinha que cantar a letra inteira de Faroeste Caboclo, da Legião Urbana. A música era proibida na escola, por causa dos palavrões. Difícil decorar a letra, pois a canção tinha uns nove minutos.
Alex tentou duas vezes e foi reprovado. Só conseguiu chegar até a parte em que o Jeremias casou com a Maria Lúcia.

Mas havia, entretanto, um outro teste para ingressar na turma. Tinha que pegar um ônibus e descer sem pagar.
Esse era o teste.
O Bruce e o Cris estavam lá para avaliar o desempenho de Alex. E esses meninos se tornariam grandes amigos depois.
O ônibus chegou: Lapa 208-A. Naquela época, a entrada era pela porta de trás. E a saída pela porta da frente. O plano era ficar no fundo do ônibus e sair pela mesma porta.
Não tinha mais lugar para sentar. O ônibus estava lotado, mas o Bruce sempre tinha uma solução para tudo. Ele começou a tossir perto de algumas pessoas, que olharam com cara de nojo e levantaram, deixando os lugares livres. A tosse passou.
Alex estava tenso. Aquilo era a coisa mais perigosa que ele já havia feito na vida. Ele se sentia um criminoso.
Achava que algo ia dar errado. E ele estava certo.
Quando o ônibus parou no ponto e a porta de trás abriu, o Cris gritou:
– Agora!
Ele foi o primeiro a descer.
A vantagem de quem grita agora é que essa pessoa pode sair na frente. Em vez de sair logo, Alex olhou para o cobrador e para o motorista. Talvez ele quisesse ver a reação deles primeiro. Não se sabe direito. Mas não foi uma boa ideia.
Se você quer sair de um ônibus sem pagar, você precisa fazer isso sem pensar. Naquele segundo de hesitação, o Bruce também saiu do ônibus. Agora só faltava o Alex. Então, ele tomou coragem e foi. Mas um senhor de cabelos brancos que parecia ter uns cem anos o segurou pelo braço .
A porta do ônibus se fechou. O Bruce e o Cris deram risada e tchauzinho. Alex estava reprovado no teste.
Além desse, ele tinha outro problema.
Ele não tinha dinheiro.
Era a regra.
Tinha que fazer o teste sem dinheiro para pagar a passagem. Isso significava coragem e que a pessoa topava enfrentar riscos, o que contava muito para entrar na turma.

– Você demorou, Alex. Como saiu do ônibus?
– Uma mulher ficou com dó de mim e pagou minha passagem. Pediu para eu nunca mais fazer isso . Demorou uns três pontos. Tive que vir a pé. Por isso demorei, Bruce.
– Tudo bem. Ainda quer entrar para a turma?
– Sim, eu quero muito. É o que mais quero.
– Bom, então, tem outro teste. Um novo.
– Qual é?
O Bruce apontou para a academia de lutas da esquina e explicou:
– É o seguinte. Você tem que subir lá e falar duas frases que estão neste papel. Não pode abrir agora, só lá em cima. Se você disser as frases e ficar trinta segundos lá em cima, você está na turma. Entendeu?
Puta merda! – Alex pensou – O que está escrito neste papel?
Bem, ele queria muito entrar para a turma. Foi até lá e subiu as escadas. No segundo andar tinha uma aula de caratê. Havia uns japoneses gritando:
– Iá, Iiiááá, Uff, Uff.
O Bruce tinha explicado: era para falar a primeira frase, esperar a reação deles e só então falar a segunda frase.
E Alex foi avisado que só teria uma chance.
Seja lá o que fosse, não dava para repetir. Uma chance.
Então ele abriu o papel. E dessa vez não hesitou como no episódio do ônibus. Agora ele tinha experiência.
Alex leu bem alto a primeira frase:
– Eu tenho a força!
Os japoneses pararam a aula. No mesmo instante.
Um grande silêncio. E eles começaram a rir. Muito.
Ótimo! Eles eram simpáticos. Alex estava a uma frase e trinta segundos de entrar na turma. Confiante, falou a segunda frase:
– Ão, ão, ão, meia dúzia de bundão!
Sabe quando você faz algo e depois se arrepende?
Os japoneses pararam de rir. No mesmo instante.
Eles fecharam a cara.
Então Alex descobriu que não dava para ficar trinta segundos ali. E também entendeu por que só teria uma chance.
Um japonês cabeludo, o mais forte, gritou:
– Pegaaaaaa!!!!
– Eles querem me quebrar! - disse Alex correndo, ao passar pelo Bruce e Cris, seguido por vários japoneses furiosos . Nove segundos apenas. Reprovado. De novo.

Os primeiros apelidos de Alex foram: Menino da Lancheira e Fez na Calça. Era dele o título de o mais fraco da escola. Isso aconteceu depois que ele perdeu no braço de ferro para uma menina da sexta série. Mas a fama dele já não era boa, pois descobriram que ele vestia duas calças para engrossar as pernas.
Mas tinha uma coisa em que Alex era muito bom.
Ele corria bastante, o que lhe salvou várias vezes.
Ah, ele também tirava boas notas. Mas isso não o ajudava em nada com as meninas, pois ele dizia que elas sempre gostavam dos caras errados e só queriam ser amigas .
E Alex era nota zero na arte da paquera.
Uma vez uma menina o humilhou porque ele não sabia dançar música lenta. Nas festas juninas ele sempre dançava quadrilha com a mais feia.
Mas, uma vez na vida, aparece alguém especial, que faz o seu coração acelerar. Uma coisa é certa. Todo mundo já amou, ama ou ainda irá amar alguém.
E assim, um dia, Alex se apaixonou.
E conseguiu conquistá-la. E a perdeu.
Será que ela se apaixonaria por ele de novo?

Falando nela, a primeira vez que Alex viu Ana foi mais ou menos assim: eles se encontraram numa locadora de vídeos. Os olhares se cruzaram e ela sorriu para ele.
O sorriso mais lindo que ele tinha visto em todos os seus dezesseis anos. E ele se apaixonou imediatamente.
E se um dia você a conhecer, também se apaixonará.
Seus dias nunca mais foram iguais depois daquele sorriso.

Bom, o importante é você saber que Alex queria muito duas coisas: beijar Ana e entrar para a turma. Então, ele precisava mostrar para o mundo que era uma pessoa interessante. Só que isso era um grande problema, pois sua vida era monótona, sem grandes emoções. A coisa mais perigosa que já tinha feito foi ter engasgado com uma bala.

Mas tinha uma terceira coisa que Alex queria muito: ser jovem para sempre. Ele tinha pavor de envelhecer. Talvez por causa do velho Volpone ou do Fininho.
Uma vez, a vizinha, que achava que sabia de tudo, falou para a mãe de Alex que o menino tinha Síndrome de Peter Pan. Mas parecia que o professor Rock tinha uma solução para isso. E Alex nunca se esqueceu da sua primeira aula de mitologia.

– Bom, vamos falar sobre mitologia – disse o professor Rock - Na Grécia Antiga, as pessoas acreditavam em vários deuses. Naquele tempo não existiam explicações científicas para muitas coisas. Por isso foram criadas várias histórias, frutos da imaginação, que originaram diversos personagens mitológicos. Um exemplo é a história de Perséfone. Ela foi raptada por Hades, o deus do Mundo dos Mortos. Sua mãe, Deméter, era a deusa da agricultura. Como a deusa ficou triste com o sequestro da filha, as terras ficaram desertas e começou a faltar alimentos. Os animais morriam de fome. Bom, no final foi feito um acordo. A menina passaria seis meses com sua mãe, como uma eterna adolescente. E, nos outros seis meses do ano, ela passaria com Hades, se tornando a sombria Perséfone. Então, quando a deusa está com sua filha, ela cuida para que a terra esteja bela e fecunda. Por isso, temos a primavera e o verão. Mas quando Perséfone vai embora, as folhas das árvores caem e tudo fica triste e sombrio. É o outono e o inverno.

A classe estava hipnotizada com a aula.

– Bem, - continuou o Professor - os romanos absorveram o conjunto de deuses gregos, modificando os seus nomes. Assim, temos Mercúrio, o mensageiro dos deuses; Vênus, a deusa da beleza e do amor; Tellus, a mãe Terra; Marte, o deus da guerra; Júpiter, o rei dos deuses; Saturno, o deus do Tempo; Urano, o deus do Céu; Netuno, o deus do mar; e Plutão, o deus do mundo dos mortos.
– Os nomes dos planetas são os nomes dos deuses.
– Sim, com certeza, Cris. – disse o Professor.
– Eu não gosto de Saturno.
– Por qual motivo, Alex?
– Ele é o Deus do Tempo e eu não gosto do Tempo.
– Alex, o Tempo é um adversário formidável. Ele machuca, mas também te faz rir. Ele leva coisas boas, mas também traz momentos especiais e pessoas inesquecíveis. Ele sempre nos ensina. Principalmente sobre nós mesmos. Na vida, ou a gente ganha ou a gente aprende.
O Professor tinha as palavras certas nas horas certas.
– Continuando. Pensem nos super-heróis ou em outros personagens. O Peter Pan, por exemplo. Não deixa de ser uma espécie de mitologia de outro tempo, concordam?
– A Terra do Nunca existe?
A classe toda riu, menos o Professor, que disse:
– A Terra do Nunca eu não sei. Mas existe uma lenda sobre um lugar parecido, chamado Infinitum.
– Infinitum? – perguntou Alex.
– Sim. Um lugar onde as pessoas nunca envelhecem.

Um tempo já havia se passado e as coisas não evoluíram muito.
Alex não beijou Ana e nem conseguiu entrar para a turma.
E quanto mais o tempo passa, mais velho ficamos.
Ele não estava conseguindo nada do que queria.
Por isso, ele decidiu se rebelar. Declarou guerra: Estou de mal com o mundo! Ele queria que as pessoas tivessem medo dele.
Então, deixou o cabelo crescer. Mas, tinha um problema: o cabelo dele não crescia para baixo, e sim para os lados, igual ao do Bozo, o palhaço mais legal da televisão nos anos 80.
E, assim, Alex foi com o cabelo do Bozo para a sua primeira aula de capoeira, que era a luta do momento. Quando ele chegou lá, o colocaram em frente a um espelho. Ele dava uns chutes no ar e fazia umas gingas, para a esquerda e para a direita. No fim da aula, o professor Edson, conhecido como Ed Voadora, sentou de frente para ele e empurrou as pernas dele para trás, fazendo um espacate, igual ao do Van Damme.
E, por causa disso, Alex ficou com dor nas pernas por duas semanas. Mas agora ele era do mal e lutava capoeira.
Ninguém sabia que ele tinha feito só uma aula e não voltou mais.

Duas semanas depois, surgiu a oportunidade perfeita. Havia uma turma rival do colégio, a turma do mal.
A Turma da Barra Suja.
Eles estavam fazendo um processo seletivo para escolher novos membros, num terreno abandonado, na rua Barra Suja.
Quando Alex chegou lá, ele viu uns quinze moleques, mais ou menos. Aqueles meninos tinham vontade de ser algo que eles não eram. Todos prestavam atenção numa espécie de código de ética da turma, que era apresentado por um sujeito chamado Satan, um dos caras mais temidos do bairro.
O sobrenome dele era Santana. Mas ele criou esse apelido para deixar mais assustador. Funcionava. Ele dava medo. Era grandão e botava o terror em todo mundo. Alex se aproximou. O Satan deu um olhar de desprezo, ignorando-o:
– Pau pode. Pedra pode. Corrente pode. Barra de ferro pode. Soco inglês pode. Tiro não.
Alex havia chegado bem na hora da explicação de quais as armas que a turma poderia usar nas brigas.
– Vocês querem ser maus? – perguntou o Satan.
– Nós queremos! – todos respondiam, inclusive Alex.
– Vocês querem ser temidos?
– Nós queremos!
– Vocês querem bater em todo mundo?
– Nós queremos!
– Então tá bom, seus lixo! Se querem bater, primeiro têm que aprender a apanhar. Faz uma fila aí, todo mundo!
E, assim, Alex acabou entrando numa fila para apanhar.
Tinha que tomar três tapões na cara, sem cair ou chorar.
Esse era o teste para entrar na Turma da Barra Suja.
Quem fosse embora, seria chamado de fraquinho e bundão. E isso era terrível para um adolescente nos anos 80.
O Satan estava se divertindo. Ele dava os tapas. Os meninos choravam ou caíam. Ou as duas coisas.
– Incapaz! Volta quando virar homem! Próximo!
Após alguns minutos chegou a vez de Alex.
O Satan ficava olhando antes de bater. Ele tinha olhos avermelhados, unhas sujas e grandes, dentes amarelados, barba por fazer. Mas antes que ele desse o primeiro tapa, Alex disse:
– Seu Satan, não precisa me bater. Eu posso ser muito útil. Eu sou do mal. E também um mestre da capoeira.
O Satan ficou olhando.
– Mestre da capoeira, é? Maligno, chega mais!

É incrível como as coisas podem piorar num segundo .

O tal do Maligno já se apresentou dando um salto mortal. Ele tinha uma camisa Mamãe eu sou forte, que mostrava os músculos e umas tatuagens. O braço dele era maior que a coxa de Alex. Tinha uma barba grossa e uma cicatriz no rosto. Ele ficava mexendo os olhos para os lados. Bom, você só precisa saber que é um desses sujeitos com os quais você não deve arrumar briga. Nem irritar. Nunca.
– Você prefere morrer ou perder um braço?
Alex não sabia o que responder.
Era a pergunta mais difícil da sua vida.
Mas, talvez, o tal do Satan, lá no fundo, fosse um sujeito bom. Ele não deixou a luta começar. Elogiou Alex. Disse umas palavras carinhosas e até lhe deu um conselho:
– Moleque, você é um frango. Corre, senão o Maligno vai te matar com apenas um golpe e você vai morrer virgem. Some! Vaza! Vai procurar sua turma!
O Maligno mexeu os olhos e Alex saiu correndo.
Começou um coro: Fraquinho, Fraquinho, Fraquinho ...
E depois outro: Bundão, Bundão, Bundão ...
– Um dia vocês vão ouvir falar de mim – gritou Alex.
A Turma da Barra Suja dava gargalhadas.
O Satan mostrou as mãos tremendo de medo.
O Maligno deu um mortal triplo.

Mas, pouco tempo depois, finalmente, Alex conseguiu decorar a letra de Faroeste Caboclo e entrou para a turma do colégio Casarão. E isso fez a diferença.
Foi ótimo o conselho do Satan para procurar a sua turma.
Ele a encontrou.
A melhor turma de amigos do mundo.
Você vai ver.
Feito com